Saiba tudo sobre o Natal


Natal (do latim natale) significa o dia do nascimento, o dia do aniversário de um nascimento, a festa do nascimento de Jesus Cristo.

Na Roma pagã, desde o tempo do imperador Aureliano no ano de 274, o dia 25 de dezembro era consagrado ao Natalis Solis Invicti (Natal do Sol Invencível). Era uma festa mitríaca (relativa ao deus Mitras, o espírito da luz divina) do renascimento do Sol. Era bastante importante o símbolo do Sol, pois nos países da Europa e de todo o hemisfério norte, o astro-rei parecia enfraquecer-se e ir diminuindo sua luz e calor entre os meses de dezembro e março. Isto levou a Igreja Romana a contrapor-lhes a festa cristã do Natal de Cristo, o verdadeiro Sol da Justiça.

Assim, embora desde o século III, as considerações astronômico-simbólicas levassem a fixar o nascimento do Cristo em 25 de março, a festa litúrgica do Natal passou a ser celebrada no mesmo dia 25 de dezembro. Esta festa cristã logo se estendeu por todo o Ocidente, não tardando, com o correr dos tempos, a ser adotada por todas as igrejas cristãs orientais.

A fixação oficial da data de 25 de dezembro, como dies natalis, dia do nascimento de Jesus, foi determinada pelo Papa Júlio I e o primeiro calendário que se tem notícia a marcar esta data como o Natal de Jesus Cristo é o Filocalos (ano 354).

Com o passar dos anos, surgiram o presépio, a árvore e enfeites de Natal, os cartões e a figura do Papai Noel. Tudo isto com o intuito de tornar esta data especial, mais alegre e bonita, mais pacífica e fraterna, onde as pessoas esquecem os seus problemas e entram no clima de união e fraternidade.

Mas infelizmente, ainda existem muitas outras que, iludidas pela fartura de comidas, bebidas e presentes, nem ao menos se lembram do objetivo maior desta comemoração, do aniversariante do dia, nosso amado Mestre Jesus.

CONHEÇA COMO SURGIRAM OS SÍMBOLOS NATALINOS

O Presépio

Presépio, em hebraico, significa a "manjedouora dos animais", assim como indica o próprio estábulo.

Segundo o evangelista Lucas, Jesus ao nascer foi reclinado em um presépio que poderia ser uma manjedoura das que existiam nas grutas naturais da Palestina, utilizadas para recolher animais.

Mas foi a partir de São Francisco de Assis que os presépios se tornaram frequentes, apresentando Jesus deitado na manjedoura.

Conta a história, que em 1223, aproximando-se o Natal, Francisco, que não deixava dia e noite de meditar sobre a vida de Jesus, resolveu celebrar de maneira nova e original a festa do nascimento de Cristo e, achando-se no eremitério de Santo Colombo, disse a João Velita, membro da Ordem Terceira:
- Senhor João, se quiser me ajudar, celebraremos este ano o Natal mais belo que jamais se viu!
- Certo que quero, meu senhor!
- Num dos bosques que cercam o eremitério de Greccio há uma gruta semelhante à de Belém. Desejaria ali representar a cena de Natal. Ver com os olhos do corpo a pobreza na qual o Menino Jesus veio ao mundo, como foi colocado numa manjedoura, entre o boi e o asno.

João apenas acrescentou:
- Compreendi. Deixa tudo por minha conta.

Na noite de Natal os sinos do vale de Rieti bibilhavam, Greccio tornara-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade.

A Árvore de Natal

A origem da presença da árvore nas festividades de Natal remonta aos primeiros séculos do Cristianismo.

Entre os povos pagãos na Europa Central, existia a crença de que um espírito livre vivia em cada velho carvalho dentro da floresta. Com a madeira dessas árvores é que era mantida acesa a chama sagrada dos sacerdotes druidas.

Quando São Vilfrido (634-710), monge anglo-saxão, começou a pregar o Cristianismo na Europa Central, encontrou crenças pagãs entre esses povos, uma das quais a do espírito que habitava no carvalho.

Para destruí-la, resolveu cortar um velho carvalho que existia em frente à pequena igreja. Segundo a lenda, nesse momento irrompeu violenta tempestade e um raio cortou o tronco em quatro pedaços, espalhando os galhos do carvalho. Porém, um pinheirinho, novo e verdejante, que existia ao lado do carvalho abatido, milagrosamente nada sofreu.

Para São Vilfrido esse acontecimento representou uma mensagem do céu, pela qual a divina providência dava sua proteção à infância e à inocência.

Naquela mesma noite no seu sermão mencionou o fato, dizendo que o pinheirinho, poupado por Deus, representava a árvore da paz e da inocência. Por conservar-se sempre verde durante todo o ano, mesmo nos mais rigorosos invernos, o pinheiro era um símbolo da imortalidade. Associava a imagem do pinheiro verdejante à imagem imortal do Menino Jesus. Assim, a árvore passou a representar um símbolo de Jesus Cristo, Vida e Luz no mundo.

Com isso a árvore de Natal, representada pelo pinheirinho, passou a ser colocada junto ao Presépio como símbolo cristão.

As Bolas de Natal

Com o passar dos anos as árvores de Natal foram sendo cada vez mais enfeitadas, principalmente com bolas e luzes coloridas.

As bolas representam, como símbolos natalinos, os bons frutos da vida produzidos. Presas aos galhos, representam também as boas ações, uma vez que só elas dão bons frutos.

O Papai Noel

São Nicolau, ou Santa Claus, Bispo de Mira, nasceu na Ásia Menor, no século III.

Celebrizou-se por sua dedicação e sincera bondade que o levaram a fazer milagres, tanto em vida como após a morte.

São Nicolau é um dos santos mais populares da cristandade e na devoção popular; o culto a ele é baseado na sua inesgotável generosidade, sobretudo com as crianças, resultando em inúmeras lendas folclóricas.

Segundo a lenda, conta-se que o pai de Nicolau era muito rico, deixando para o filho enorme fortuna. O futuro santo, sempre generoso, soube que um vizinho estava em dificuldades para dar um casamento digno à sua filha. Nicolau, durante a noite, às escondidas, encheu uma pequena bolsa de moedas de ouro, jogando-a na janela do vizinho. E com isso aconteceu a festa. Mais tarde, repetiu o gesto com a segunda filha. Na terceira vez, o pai, na espreita, descobriu Nicolau, espalhando a notícia.

Sempre distribuindo seus bens aos pobres, principalmente às crianças, tornou-se um costume, durante muito tempo, os pais presentearem seus filhos no dia 6 de dezembro, data da sua festa litúrgica. As crianças recebiam os presentes vindos do céu por São Nicolau.

São Nicolau passou a ser representado com longas barbas brancas, montando um burrinho e carregando um grande saco cheio de presentes. Ele entrava pelas chaminés das lareiras das casas. Na Suécia e Noruega, falava-se que o próprio santo era quem distribuía os presentes, colocando-os nas lareiras das casas, nos sapatos e nas meias das crianças.

Essa tradição de presentear as crianças no dia de sua festa, 6 de dezembro, lentamente foi sendo transferida para o dia 25 de dezembro.

Os Cartões de Natal

Desde as mais antigas civilizações, o homem foi criando meios de comunicação para transmitir aos semelhantes os seus pensamentos, idéias, necessidades e sentimentos.

Bem antes de Jesus Cristo surgiram as mensagens de felicitações, pois já era hábito entre os romanos enviarem-se congratulações pelo Ano Novo, gravadas em tabletes de argila (tijolos) e, com a cristianização do Império Romano, esse costume permaneceu.

Todavia, o primeiro cartão de "Boas Festas" de que se tem notícia teria surgido em Londres no ano de 1834, na mesma época dos contos natalinos de Charles Dickens.

Sem possibilidade de escrever à mão a todos os seus familiares e amigos, Henry Coyle solicitou a um artista plástico que lhe elaborasse um cartão que servisse para enviar boas-festas a todos os seus entes queridos. Nesta ocasião foram impressos cem, e os que sobraram foram vendidos a um xelim cada.

Até 1851, os cartões eram todos litografados e pintados à mão. Este artesanato acabou quando um editor de livros decidiu massificar a venda de cartões.

Autoria: 
Suzana A. da Costa Ferreira e Alexandre Ferreira