Fundação Dorina Nowill para cegos: 52 anos de luta pela integração dos deficientes visuais


Dorina Nowill ficou cega aos dezessete anos de idade. Jovem, inteligente, ávida por conhecimentos, viu-se desamparada, mas não se abateu. Foi à luta, procurou ajuda onde possível, formou-se professora, conseguiu bolsa e foi estudar nos Estados Unidos. Venceu, mas não quis a vitória só para si. Pesquisou o problema, especializou-se em educação de cegos e criou a Fundação para o Livro do Cego do Brasil, em 11 de março de 1946. Hoje, os 1,5 milhões de brasileiros cegos contam com o apoio da Fundação Dorina Nowill para Cegos, nome que a entidade passou a ter, em 1991, em homenagem à sua fundadora, ainda viva e ativa.

Nos seus 52 anos de existência, a fundação produziu muita qualidade e quantidade: mais de 2 milhões de livros em braille foram editados no período. A produção anual da entidade é de 100 mil livros, de 179 diferentes títulos, distribuídos gratuitamente para 630 organizações especializadas e 3.500 estudantes em todo o Brasil. Seu acervo reúne 7.600 livros gravados, com, aproximadamente, 60.626 fitas cassete e, semanalmente, produz uma edição gravada da revista Veja.

São livros didáticos básicos, desde o ensino fundamental até a universidade, transcritos para o braille (ou gravados) a pedido de escolas ou órgãos ligados à educação, ou de pessoas que escrevem de todo o Brasil. Além disso, produz aparelhos e máquinas para escrita em braille, o ábaco, ou soroban (máquina artesanal de calcular, de origem oriental) e bengalas especiais para cegos.

A fundação busca a sua auto-sustentação, através da prestação de serviços gráficos, área em que a fundação tem larga experiência, e a gravação de livros.

A Fundação Dorina Nowill também atua na prevenção da cegueira. A despeito de não haver estatísticas sobre o assunto no Brasil, a maior incidência verifica-se nas camadas de mais baixo nível sócio-econômico e cultural e, geograficamente, nas regiões Norte e Nordeste. A catarata congênita, por exemplo, cega crianças que poderiam não ter problemas se tivessem tido um atendimento médico adequado e a tempo. Acidentes de trânsito e assaltos têm contribuído para elevar o número de cegos atendidos nos programas de reabilitação da fundação.

Os recursos vêm de convênios com os governos federal, estadual e municipal, das quase 400 pessoas físicas e jurídicas que fazem doações mensais, e de contribuições espontâneas. As receitas da fundação são reforçadas por fontes como um serviço telefônico e outras fontes, como bazares e até loterias.

A entidade atende gratuitamente pessoas com deficiência visual, congênita ou adquirida, por meio de uma equipe com psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e pedagogos.

Rua Dr. Diogo de Faria, 552 - V. Clementino
Telefone: 549-0611 / Fax: 549-0823
E-mail: dorina@sti.com.br

Autoria: 
Kanitz e Associados