O aborto à Luz da Doutrina Espírita


Gostaríamos de ressaltar, desde o início, que nosso objetivo, ao abordarmos este delicado assunto, não é, de maneira alguma, condenar ou julgar qualquer pessoa que já apoiou ou realizou um aborto, mas sim, procurar mostrar, à luz de nossa doutrina, porque não devemos participar desta prática infeliz.

Além dos prejuízos emocionais e espirituais, o aborto também traz sérios danos ao corpo da mulher, como insuficiência do colo uterino, infecção e obstrução das trompas, possível lesão no intestino e na bexiga, grandes hemorragias, graves complicações em uma próxima gravidez, esterilidade e muitas vezes pode levar até à morte.

Com muita tristeza temos observado grandes movimentos em nosso país pedindo a legalização dessa prática.

Cabe a nós, tentar mostrar a todos que, desde o momento da fecundação já existe um espírito ansioso por mais uma oportunidade, pronto para iniciar uma nova vida... Mas sempre com muito amor, respeito, carinho e compreensão.

COMO ABORDAR ESTE POLÊMICO ASSUNTO

Nos dias atuais, muito temos ouvido falar sobre este polêmico assunto, envolvendo movimentos pró e contra o aborto. Sabemos que a doutrina espírita é totalmente contrária a qualquer forma desta medida, excetuando-se, apenas, os casos onde a mãe corre algum risco de vida (ver Livro dos Espíritos, Cap. VII, Pergunta n.º 359).

É obvio que, a partir do momento em que acreditamos na reencarnação e sabemos que milhares de entidades aguardam ansiosamente por mais uma oportunidade para resgatar suas faltas do passado, temos de ser contrários à qualquer prática abortiva, mesmo aquelas polêmicas - e que muitos defendem vorazmente - onde a gravidez é resultado de um estupro ou, ainda, quando está comprovado que o feto tem alguma grave lesão e que dificilmente sobreviverá.

Acreditamos que mesmo nesses casos, embora o compreensível sofrimento que essas situações acarretam à mulher, é preciso considerar que existe um ser cheio de vida, aguardando o amor incondicional de sua mãe: bebês inocentes frutos de um ato violento, ansiosos para vir ao mundo e servir de consolo à sua mamãe querida. Ou, ainda, espíritos arrependidos, carregados de faltas, necessitando dos poucos meses de carinho materno para retornarem à espiritualidade mais aliviados.

Vale também ressaltar que não podemos atribuir somente às mulheres a responsabilidade de se praticar um aborto. Em grande parte dos casos essa decisão é tomada também pelos namorados, maridos e pais, incapazes de apoiar, compreender e amparar sua mulher ou filha, levando-as a um ato que elas não tomariam, mas sozinhas, temerosas de seu futuro, acabam optando por esta prática infeliz.

Vamos lutar pela defesa da vida, pela diminuição dos casos de aborto em nosso país, pela conscientização dos prejuízos causados tanto à mãe quanto ao bebê. Mas saibamos respeitar os sentimentos alheios tomando cuidado com as nossas palavras. Orientar e argumentar sim, mas sempre com muito amor e compreensão.

Já tivemos a oportunidade de presenciar, no meio espírita, tentativas desastrosas de esclarecer as mulheres a não realizarem a prática abortiva: camisetas apelativas, com fetos trucidados, com a inscrição "aborto é crime"; peças de teatro empolgantes, mas que levaram várias mulheres à crises de choro e remorso profundos.

Não estamos dizendo que devemos esconder a verdade dos fatos. O esclarecimento é necessário para que as pessoas compreendam o prejuízo causado por um aborto, tanto à mãe quanto ao espírito que estava prestes a reencarnar. Muitas vezes é importantíssimo o uso de imagens e argumentações fortes e realistas dos fatos para que as pessoas "acordem", mas, repetimos, é preciso muito cuidado especialmente quando falamos com alguém que já se utilizou desta prática.

É fundamental, ao levantarmos esse assunto, que nos coloquemos no lugar dessas pessoas. O que as levou a realizar este ato infeliz? Ignorância, desespero, solidão? Não sabemos e nem precisamos saber. Já nos referimos, em outra edição deste informativo, que aqueles que cometem pequenos erros, mas que já conhecem a verdade são muito mais culpados do que aqueles que cometem graves infrações por ignorância. Cuidemos, pois, para que nosso julgamento não cause maiores danos àqueles que, por algum motivo, cometeram um ou mais abortos. Aprendamos com Jesus e amparemos a todos, sempre com muito amor no coração.

Autoria: 
Alexandre Ferreira