Núcleo Espírita Assistencial "Paz e Amor"

Rastros de Luz

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Aparências

por 12/2014Rastros de Luz0 Comentários

Pai João

Ao transitarmos pelas estradas do mundo, vivenciando as mais diversas experiências que, sem tréguas, desfilam diante dos nossos sentidos, eis-nos, derrepente, parados, em frente a caprichosa e sugestiva vitrine de uma livraria, impactados que fomos pela capa de determinado livro, cujo título e ilustração nos seduziram a ponto de nos sentirmos impelidos a adquirir um exemplar. Por analogia, permitindo-nos dar asas à imaginação, é como se nos encontrássemos diante de uma pessoa, cuja aparência nos houvesse chamado a atenção, provocando em nós, inusitadas reações.

Devidamente motivados, adentramos o estabelecimento comercial, encaminhando-nos em direção ao livro para, em seguida, tomá-lo em nossas mãos, ávidos por folhear-lhe algumas páginas e, assim, mantermos o primeiro e superficial contato com o seu interior, amainando a nossa momentânea curiosidade.
É como se nos aproximássemos daquela pessoa, que tanto nos impactara e, com ela, trocássemos as primeiras impressões, delatando o repentino interesse que em nós despertara.

Tendo o livro em mãos, passamos a manusear- lhe as páginas, quando, então, nos deparamos com o prefácio da obra, cujos dizeres, resumidamente, intentam retratar-lhe o teor, aguçando, ainda mais, o nosso desejo de comprá-lo. É como se iniciássemos, com a tal pessoa, breve diálogo, obtendo, assim, alguns poucos flashes a seu respeito, despertando-nos a curiosidade, sentindo-nos incentivados a melhor conhecê-la.

Assim estimulados, adquirimos um exemplar, esperançosos de virmos a desfrutar momentos agradáveis em sua companhia, deliciando-nos com a sua leitura. Mais tarde, confortavelmente acomodados, abrimos o Iivro, quando então, nossos olhos iniciam um prazeroso passeio por sobre suas linhas, parágrafos, capítulos, saboreando o começo do seu enredo, sequiosos por conhecer-lhe a essência, imaginando o seu epílogo. É como se passássemos a nos relacionar com a citada pessoa, no campo das relações familiares, religiosas, profissionais, ou sentimentais, usufruindo a sua companhia, inteirando-nos, pouco a pouco, dos seus pontos de vista, valores, tendências, preferências, hábitos, particularidades, ensejando-nos projetar o nosso futuro, se, com ela, viéssemos a interagir, compartilhando o seu dia a dia.

Ao chegarmos ao final do livro, haveremos de nos sentir gratificados pelo seu enredo, sua história, suas riquezas, ou então, decepcionados com o seu conteúdo, iludidos que fomos pelos supérfluos apelos de sua capa, do seu título, da sua ilustração, do seu prefácio, das suas promessas. É como se depois de algum tempo de convívio com a referida pessoa, fôssemos, gradativamente, sendo acompanhados por incondicional alegria, antessala da harmonia e da paz, ou então, visitados pelo desencanto, pela desilusão, seduzidos que fomos pela sua aparência, suas palavras, suas vãs promessas que, a princípio, nos encantaram, mas que o tempo acabara por desnudá-las, expondo-nos a essência da sua alma, carente de nobres sentimentos, envolvida pelas teias pegajosas do mundo da matéria e, consequentemente, ainda bem distante dos caminhos que o Cristo, para todos nós, delineara.

Portanto, jamais nos deixemos seduzir pelos sutis, superficiais e efêmeros apelos do mundo sem antes avaliá-los, à luz dos tesouros imperecíveis do Espírito, pois, tais apelos encontram-se, principalmente, presentes na superficialidade das palavras, atitudes, ações e promessas de incontestáveis seres humanos que, desconhecendo os reais valores da fraternal consciência, ainda perambulam pelas estradas da vida, prejudicando, ardilosamente, em seu próprio benefício, tantos quantos, distraidamente cruzam os seus caminhos, vindo a comprometer-lhes o hoje e, talvez, o amanhã das suas vidas.

A matéria, teimosamente, continuará tentando nos fascinar e, apesar de estarmos, de certa forma, prevenidos contra as suas artimanhas, em alguns momentos a dúvida poderá vir em nosso encalço, dificultando-nos a decisão. Se assim for, busquemos inspiração em Jesus e Ele, amorosamente, pelas vias do pensamento e do coração, nos dará forças e o devido discernimento para que possamos bem avaliar e decidir quanto aos caminhos que os nossos pés ainda haverão de percorrer.